Medicamento dipirona tem venda suspensa pela Anvisa

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão imediata da comercialização, distribuição e uso de um lote de dipirona monoidratada 500 mg/mL, medicamento amplamente utilizado no tratamento de dor e febre. A decisão, publicada na terça-feira, 08 de abril, no Diário Oficial da União, atinge o lote 24112378, fabricado pela Hypofarma e composto por caixas com 100 ampolas de 2 mL.

A medida ganhou força após a identificação de um desvio de qualidade relevante. Segundo a agência, análises confirmaram a presença de material particulado na solução injetável. Esse tipo de alteração indica risco potencial de contaminação, o que compromete a segurança do produto e pode trazer consequências graves ao paciente.

Além disso, a irregularidade viola normas sanitárias que exigem controle rigoroso na produção de medicamentos injetáveis, sobretudo no que diz respeito à integridade e pureza das soluções. Diante desse cenário, a Anvisa orienta que pacientes e serviços de saúde suspendam o uso imediato do lote afetado e procurem o fabricante para orientações sobre substituição.

A resolução publicada não se limitou à dipirona. No mesmo documento, a agência determinou a suspensão de medicamentos manipulados e atividades de empresas do setor farmacêutico.

Entre as medidas, estão a interrupção de todos os lotes de ésteres de testosterona, nandrolona, tirzepatida e semaglutida manipulados pela empresa Mali Produtos para Saúde LTDA. A decisão ocorre após a identificação de falhas críticas no processo produtivo.

De acordo com a Anvisa, inspeções apontaram problemas no controle de qualidade, ausência de testes essenciais, irregularidades no armazenamento e dúvidas quanto à procedência das matérias-primas. Em consequência, a segurança desses produtos não pode ser garantida.

O que diz a fabricante

Em nota, a Hypofarma afirma que o problema se restringe a um único lote. Veja a íntegra:

“A empresa reforça que todos os seus produtos são fabricados em conformidade com rigorosos padrões técnicos e regulatórios estabelecidos pelas autoridades sanitárias competentes, mantendo compromisso permanente com a qualidade, a segurança dos pacientes e a conformidade regulatória.

A Hypofarma segue investindo continuamente na modernização de seus processos produtivos e na incorporação de novas tecnologias industriais, com foco na excelência operacional e no aprimoramento constante de seus controles de qualidade.

A companhia permanece à disposição, sempre trabalhando em parceria com os órgãos competentes.”

Falsificação de medicamentos: risco real e crescente

Embora a suspensão da dipirona esteja ligada a um desvio de qualidade específico, o episódio reacende um alerta mais amplo: o avanço dos medicamentos falsificados ou subpadronizados.

Ainda que o Brasil não esteja entre os países com maior incidência, o problema preocupa autoridades sanitárias, sobretudo com o crescimento das vendas online. Em países de baixa e média renda, cerca de 1 em cada 10 produtos médicos em circulação é falsificado ou de qualidade inferior, segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na prática, os riscos são significativos. Ao consumir um medicamento falsificado, o paciente não apenas deixa de tratar a doença, como também pode sofrer intoxicações, reações inesperadas e agravamento do quadro clínico. Alterações na pressão arterial e nos níveis de glicose também podem ocorrer.

Além disso, produtos roubados da cadeia oficial, mesmo quando originais, podem perder eficácia se armazenados fora das condições adequadas.

Produtos mais visados pelo mercado ilegal

No Brasil, medicamentos de alto custo aparecem com frequência nas listas de falsificação. Entre eles, destacam-se canetas emagrecedoras, toxina botulínica e tratamentos oncológicos.

De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF), alguns dos itens mais frequentemente identificados como falsificados incluem:

Botox (toxina botulínica)
Dysport (toxina botulínica tipo A)
Mounjaro (tirzepatida)
Keytruda (tratamento oncológico)
Opdivo (tratamento oncológico)
Durateston (hormônio testosterona)
Oppy (analgésico opiáceo)
Cloridrato de fluoxetina (antidepressivo)
Além da falsificação, muitos desses produtos entram no país de forma irregular ou acabam desviados por meio de roubos de carga.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de atenção redobrada na hora de adquirir medicamentos. Primeiramente, preços muito abaixo do mercado costumam indicar risco. Além disso, embalagens com erros de grafia, alterações de cor ou ausência de lacre devem levantar suspeitas.

Outro ponto essencial envolve o selo de segurança. Medicamentos regularizados apresentam uma área raspável que revela a logomarca do fabricante. A ausência desse recurso pode indicar problema.

Também é fundamental verificar se o produto possui registro na Anvisa. Esse número, com 13 dígitos, aparece na embalagem e pode ser consultado online.

Além disso, a venda deve ocorrer apenas em estabelecimentos autorizados. A legislação brasileira exige que toda farmácia tenha um espaço físico, mesmo que opere também pela internet. Portanto, sites sem identificação clara ou sem vínculo com lojas físicas representam risco.

Fonte: O FUXICO