Simepar confirma tornado F2 em São José dos Pinhais com rajadas de até 180 km/h

Fotos: Antônio Nascimento/Banda B

A equipe do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) que verificou in loco os estragos causados pelo tornado que atingiu o bairro Guatupê, em São José dos Pinhais, na tarde de sábado (10), classificou o evento como sendo da categoria F2 na escala Fujita, que vai até o nível cinco (F5). Os ventos chegaram a 180 km/h e o percurso foi de cerca de um quilômetro, não tocando o tempo todo no chão.

Na manhã deste domingo (11), dois meteorologistas do órgão foram à cidade da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) colher mais dados para a análise já iniciada no sábado. A escala Fujita é a mesma aplicada em Rio Bonito do Iguaçu (Sudoeste do Paraná), em novembro, quando um tornado F4, foi confirmado pelo Simepar no município.

De acordo com a Defesa Civil Estadual, o tornado atingiu 350 residências de São José dos Pinhais, impactando 1.200 pessoas. Moradores de duas casas ficaram desalojados, indo para a casa de familiares. Duas pessoas tiveram ferimentos leves durante o evento e foram encaminhadas para as unidades de atendimento em saúde.

Além dos danos às edificações, o tornado provocou queda de árvores e problemas na rede e distribuição de energia elétrica, exigindo a atuação conjunta de diversos órgãos. A Defesa Civil Estadual encaminhou neste domingo 2,6 mil telhas para ajudar os moradores atingidos.

Os meteorologistas do Simepar vêm monitorando as informações do tornado na RMC desde sábado, quando o fenômeno foi registrado. Inicialmente, o acompanhamento foi pelo sistema de radares do órgão.  Além da equipe de meteorologia, a equipe de Geointeliência participou do trabalho, sobrevoando a área com um drone com sensor para levantar dados.

Em terra, os meteorologistas percorrem o trajeto do tornado para levantar informações. Entre elas, a extensão do tornado, a distância em que os objetos foram lançados pelos ventos, o tipo de estragos causado, além de entrevistas com moradores da região. Imagens das câmeras de monitoramento da região também estão sendo analisadas.

“O trabalho em campo serve para avaliar a região afetada. Dessa forma é possível fazer a identificação se os dados realmente estão associados ao tornado, bem como classificar o tornado”, explica o meteorologista Leonardo Furlan, que participou do trabalho in loco neste domingo.

O que é a Escala Fujita

A escala Fujita foi desenvolvida nos Estados Unidos e é adotada em diversos países para avaliar a intensidade dos tornados. A classificação na escala Fujita não é feita apenas pela velocidade do vento, mas principalmente pelos danos observados em construções, vegetação e estruturas.

A escala varia de F0 a F5:

F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h — danos leves

F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos moderados

F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos consideráveis

F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos severos

F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h — danos devastadores

F5: ventos entre 418 km/h e 511 km/h — destruição extrema

Fonte: RICTV