O presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña, deve comparecer ao Ministério Público neste sábado (7), após ser preso na noite de sexta-feira (6), poucas horas depois de ter o impeachment aprovado pelo Senado do país.
Inicialmente colocado em prisão domiciliar, Peña precisou ser transferido durante a noite para uma unidade militar das Forças Armadas do Paraguai, após confrontos entre manifestantes e policiais em frente à sua residência, em Assunção.
Segundo a imprensa paraguaia, manifestantes se concentraram nas proximidades da casa do ex-presidente, gritaram insultos e arremessaram ovos contra o veículo utilizado na transferência.
Peña foi levado ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade militar responsável pela segurança de presidentes, ex-presidentes e autoridades estrangeiras.
Prisão está relacionada a escândalo bancário
O Ministério Público do Paraguai determinou a prisão de Santiago Peña e do ex-presidente do Banco Central do país, Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, em meio às investigações sobre o escândalo envolvendo o Ueno Bank.
A ordem foi expedida por promotores especializados em crimes econômicos, anticorrupção e delitos informáticos.
As autoridades investigam possíveis irregularidades financeiras e suspeitas de tráfico de influência. As acusações definitivas ainda estavam sendo analisadas pelos investigadores.
A prisão ocorreu pouco depois de o Senado aprovar a destituição de Peña, com 44 votos favoráveis e uma abstenção. Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados já havia aprovado o impeachment do então presidente.
Entenda a crise política no Paraguai
A crise começou após o fechamento do Ueno Bank, na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou o processo de liquidação da instituição devido a problemas financeiros relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
O banco possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos previdenciários.
Santiago Peña, que assumiu a Presidência em 2023, havia sido acionista do grupo proprietário da instituição financeira até 2025.
A oposição acusou o ex-presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e possível encobrimento de irregularidades envolvendo o Banco Central.
Antes da destituição, Peña afirmou que os responsáveis por eventuais irregularidades deveriam responder perante a Justiça e defendeu medidas para garantir a recuperação dos recursos dos clientes prejudicados.
Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai.
O comparecimento de Peña ao Ministério Público está previsto para este sábado, quando os investigadores deverão dar continuidade aos procedimentos relacionados à sua prisão.
Foto: Reprodução

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