Há 104 anos, em 7 de setembro de 1922, o Brasil dava um dos primeiros grandes passos na história da radiodifusão. Durante as comemorações do centenário da Independência, uma transmissão radiofônica levou a voz do então presidente Epitácio Pessoa a diferentes pontos do país.
A transmissão aconteceu no Rio de Janeiro, com equipamentos instalados durante a Exposição Internacional do Centenário da Independência. O discurso de Epitácio Pessoa foi transmitido a partir de uma estrutura instalada no Morro do Corcovado. Na sequência, os ouvintes puderam acompanhar a ópera "O Guarani", de Carlos Gomes, apresentada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
O episódio é considerado a primeira grande transmissão pública de rádio do Brasil. Mas a história da radiodifusão brasileira começou a ser construída antes disso.
O padre e cientista gaúcho Roberto Landell de Moura é apontado como um dos pioneiros da transmissão de voz e de sinais sem fio no país. Há registros históricos de experiências realizadas por ele ainda no fim do século 19 e início do século 20. Por isso, embora 1922 seja considerado um marco da radiodifusão pública, Landell de Moura ocupa um lugar importante entre os precursores do rádio brasileiro.
Rádio ganha regularidade
A transmissão de 1922, porém, ainda era um evento experimental. O início das transmissões regulares veio no ano seguinte.
Em 20 de abril de 1923, Edgard Roquette-Pinto, Henrique Morize e outros integrantes da Academia Brasileira de Ciências fundaram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. A emissora, considerada a primeira rádio oficial do país, tinha como proposta utilizar o novo meio para levar educação e cultura ao público.
A Rádio Sociedade entrou definitivamente no ar em 7 de setembro de 1923. Em 1936, foi doada ao Ministério da Educação e passou a se chamar Rádio Ministério da Educação, posteriormente Rádio MEC. A emissora continua em atividade e é reconhecida como a rádio mais antiga do Brasil em operação.
O rádio atravessou gerações
Ao longo das décadas, o rádio passou por profundas transformações. Dos discos de vinil aos CDs e, posteriormente, aos sistemas digitais, a tecnologia mudou a forma de produzir e transmitir conteúdo.
Mesmo com o avanço da televisão, da internet, dos podcasts e das plataformas de streaming, o rádio continuou presente no cotidiano dos brasileiros. Hoje, as emissoras também podem ser acompanhadas pela internet, aplicativos e redes sociais, ampliando o alcance de uma mídia que nasceu há mais de um século.
Outro capítulo importante dessa história começou em 1935, com a criação do "Programa Nacional", que tinha como objetivo divulgar atos do governo de Getúlio Vargas. Em 1938, o programa passou a se chamar "A Hora do Brasil" e, em 1962, adotou o nome "A Voz do Brasil".
Mais de um século depois dos primeiros experimentos e 104 anos após a transmissão que marcou a história da radiodifusão brasileira, o rádio continua se reinventando. Mudaram os equipamentos, os estúdios e a forma de ouvir conteúdo — mas permanece a capacidade de informar, acompanhar e aproximar pessoas.
Fonte: Catve
Karoline
Foto: Catve

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