A derrota por 2 a 1, de virada, para Portugal, não colocou apenas um ponto final na participação da Croácia na Copa do Mundo de 2026. A despedida foi dupla. Luka Modrić, de 40 anos, principal jogador da seleção europeia e maior ídolo da história do país, disputou, ao que tudo indica, o seu último Mundial.
O camisa 10 encerrou, na última quinta-feira (2/7), um capítulo iniciado em 2006 marcado por feitos históricos, como o vice-campeonato em 2018, na Rússia, e o terceiro lugar em 2022, no Catar. Entre as duas edições, ainda foi eleito o melhor jogador do mundo, quebrando o domínio de dez anos de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.
Agora, com tantas lembranças e histórias para contar, uma delas chama atenção por estar diretamente ligada ao agro: a habilidade e a paixão pelo futebol começaram a ser desenvolvidas na infância entre “ovelhas e pedras”.
Entenda a história
Modrić cresceu em Modrići, um pequeno vilarejo da Croácia. Como os pais trabalhavam durante o dia em uma fábrica de tecelagem, ele passou boa parte dos primeiros anos de vida ao lado do avô, Luka, de quem herdou o nome. Segundo o meio-campista, foi com ele que conheceu a simplicidade e a importância das atividades rurais no cotidiano das famílias da região.
“Quando eu era criança, não ia para o jardim de infância, estava sempre chorando, então me levaram para a 'casa alta' dele, no sopé do Monte Velebit, na Dalmácia. Cresci com animais, gostava de puxar o rabo das cabras, acho que aprendi a jogar futebol lá, entre as ovelhas e as pedras”, revelou ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport.
A relação com o campo, no entanto, foi interrompida repentinamente em 1991, quando o avô de Modrić foi assassinado por rebeldes sérvios durante a guerra pela independência da Croácia contra a Iugoslávia.
“Uma noite, meu avô não voltou para casa. Foram procurá-lo. Ele havia sido baleado em um campo à beira da estrada. Ele tinha 66 anos. Não tinha feito mal a ninguém. Tivemos que deixar tudo para trás de um dia para o outro, amigos, entes queridos, pertences. Nos refugiamos primeiro em Makarska, no orfanato-campo de refugiados. Depois, em Zadar”.
A tragédia familiar marcou o fim precoce daquela infância simples no interior croata. Anos depois, porém, o menino que improvisava jogos de futebol nas pastagens e terrenos pedregosos se transformaria em um dos maiores nomes da história.
Fonte: Canal Rural
Karoline
Foto: Reprodução/@lukamodric10

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