Servidor de escola pública no Paraná será julgado por ameaça com referência nazista

Reprodução/Redes Sociais

O servidor público Phetronio Paulo de Medeiros, que foi preso preventivamente na véspera do Réveillon por apologia ao nazismo, se tornou réu e será julgado pelo crime. Ele foi indiciado pela Polícia Civil e denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), e a denúncia foi aceita nesta quinta-feira (15) pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJ-PR).

Segundo o delegado Rafael Rybandt, responsável pela investigação, o homem possui diversos perfis com variações no nome nas redes sociais, e costumava intensificar as postagens com ameaças e apologia ao nazismo em datas próximas ao Natal e Réveillon.

Nelas, fazia uso da cruz suástica acompanhada de expressões de saudação do regime alemão, como "Heil, Hitler", além de frases de ameaça como: "Vem muita desgraça e morte para todos".

Atualmente, Phetronio é contratado como técnico em contabilidade do Instituto Federal do Paraná (IFPR), em Irati, mas foi afastado cautelarmente da instituição de ensino. Veja o que diz o IFPR mais abaixo.

No entanto, ele é natural do Rio Grande do Norte, morou em outros estados antes de se mudar para o Paraná e já é condenado por ter cometido o mesmo crime anos antes, no Rio Grande do Sul.

Phetronio não possui defesa constituída no processo.

Segundo o MP-PR, os crimes mais recentes aconteceram entre outubro e dezembro de 2025 e são tipificados na Lei 7.716/89, que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão para quem “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”.

Preso na véspera do Réveillon

Phetronio está preso desde o final da tarde do dia 31 de dezembro de 2025, suspeito de apologia ao nazismo, ameaça de atentado e veiculação de símbolos nazistas em diversas redes sociais.

Ele foi detido pelo Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) no Centro de Curitiba, onde estava em um apartamento alugado para passar a virada de ano.

O delegado Rafael Rybandt explicou ao g1 que solicitou o mandado de prisão preventiva porque as investigações verificaram que o homem costumava intensificar as postagens com ameaças e apologia ao nazismo em datas próximas ao Natal e Réveillon.

"Como nessas datas há mais aglomerações de pessoas, muitos ataques de ódio são programados para elas. [...] O fato dele ser agente público vinculado a uma instituição federal de ensino trouxe ainda mais urgência para a resposta policial ao caso. [...] A Polícia Civil do Paraná reforça o compromisso no combate a crimes de ódio e intolerância e solicita a colaboração da população. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 197 (Polícia Civil) e 181 (Disque-Denúncia)", ressalta.

Quem é Phetronio Paulo de Medeiros

Phetronio Paulo de Medeiros tem 40 anos de idade é natural do Rio Grande do Norte.

Segundo o perfil dele no site do IFPR, o homem é graduado em Ciências Contábeis e trabalhou como professor na Universidade Federal da Paraíba, onde também assumiu o cargo de técnico em contabilidade.

Em 2019 ele se mudou para o Rio Grande do Sul e passou a atuar como técnico em contabilidade na Universidade Federal de Pelotas até 2024, quando se mudou para Irati e assumiu o mesmo cargo no IFPR.

O que diz o IFPR

O IFPR afastou cautelarmente Phetronio no dia 5 de janeiro, por tempo indeterminado. No entanto, o servidor vai continuar recebendo salário normalmente.

"Neste caso, não há perda de remuneração, pois o afastamento é cautelar, provisório, até que o processo administrativo seja finalizado. Dessa forma, o afastamento cautelar do servidor ocorre para que sua permanência no cargo não possa prejudicar a apuração dos fatos no processo administrativo instaurado, e, por isso, não pressupõe uma pena antecipada".

O g1 questionou se o Instituto Federal do Paraná checou os antecedentes criminais de Phetronio antes de contratá-lo e o IFPR explicou que ele não ingressou por meio de concurso público, mas por meio de redistribuição, "conforme critérios apontados na Portaria SEGRT/MGI nº 619, de 9 de março de 2023, que não impõe a solicitação de antecedentes criminais para que o ato administrativo ocorra".

"Os processos de redistribuição tramitam em ambas as Instituições, a de origem e a de destino, neste caso, UFPel e IFPR e são finalizadas no âmbito do MEC. Outrossim, é importante salientar que tão logo o IFPR tomou conhecimento das postagens em redes sociais, com apologia ao nazismo, realizadas pelo servidor, notificou a polícia para que tomasse providências na esfera civil e criminal", complementou o órgão.

Na época da prisão, o Instituto também anunciou que abriria um processo administrativo disciplinar contra o homem. Veja a nota completa abaixo.

"O Instituto Federal do Paraná lamenta o episódio da prisão do servidor do Campus Irati do IFPR, Phetronio Paulo de Medeiros, técnico em contabilidade.

Informamos que o referido servidor faz parte do quadro do IFPR há apenas 1 ano e quatro meses e que suas condutas, se confirmadas, afrontam diretamente as crenças do Instituto Federal do Paraná enquanto instituição de excelência na formação técnica e tecnológica em nível estadual. Enfatizamos, ainda, que o IFPR não compactua com quaisquer formas de discriminação e que repudia veementemente ações criminosas de apologia ao nazismo, de xenofobia, de misoginia, de homofobia, de racismo ou de preconceito religioso que porventura sejam cometidas por qualquer um de seus servidores.

O Reitor do Instituto Federal do Paraná, Professor Adriano Willian da Silva Viana Pereira reforça, ainda, que toda e qualquer atitude criminosa cometida por membros da comunidade acadêmica do IFPR é passível de apuração imediata por parte da instituição.

Dessa forma, comunicamos que o servidor em questão será afastado imediatamente de suas funções e que um processo administrativo disciplinar será aberto para a apuração do caso, preservando-se, como garante a Constituição Federal, em seu Art. 5º, Inciso LV, o direito à ampla defesa e ao contraditório."

Fonte: G1