A missão Artemis II, da NASA, iniciada na última quinta-feira (1º), marca um momento histórico: pela primeira vez em mais de 50 anos, quatro astronautas estão a caminho da Lua para um voo rasante que os levará aonde nenhum humano esteve desde a década de 1970.
Durante a jornada, eles passarão pelas “costas” do nosso satélite natural, ou seja, pela face que fica escondida de quem está aqui na Terra.
Afinal, por que a Lua nunca mostra o seu “outro lado” para nós? O fenômeno é resultado de um ajuste gravitacional que mantém o satélite “travado” em relação ao nosso planeta.
Esse processo é conhecido como rotação sincronizada. Ao longo de milhões de anos, a interação gravitacional entre a Terra e a Lua desacelerou a rotação lunar até que ela passasse a levar o mesmo tempo para girar em torno de si mesma e para orbitar o planeta.
Esse processo de “frenagem” só se estabilizou quando os tempos se igualaram: uma volta em torno do próprio eixo passou a durar exatamente o mesmo que uma volta ao redor da Terra.
Segundo o professor de física José Lages, ao longo do tempo, a interação gravitacional entre a Terra e a Lua fez o sistema evoluir para um estado mais estável.
Um erro comum, inclusive popularizado pelo álbum The Dark Side of the Moon, da banda Pink Floyd, é chamar essa região de “lado escuro da Lua”. Na verdade, o lado oculto recebe luz solar normalmente.
O termo “lado oculto” é uma definição geográfica, pois essa face não pode ser vista diretamente da Terra. Já “lado escuro” se refere apenas à parte da Lua que está sem iluminação solar em determinado momento. Durante a fase de Lua Nova, por exemplo, o lado visível da Terra fica escuro, enquanto o lado oculto está iluminado pelo Sol.
O lado oculto da Lua apresenta características bem diferentes da face visível. Ele possui poucas áreas conhecidas como “mares lunares”, que são planícies formadas por lava antiga, e é muito mais acidentado, com grande quantidade de crateras de impacto. Além disso, sua crosta é mais espessa.
Especialistas apontam que essas diferenças podem estar relacionadas às condições do início do Sistema Solar. Uma das hipóteses mais aceitas é que as duas faces passaram por processos distintos de aquecimento e resfriamento, o que resultou em superfícies diferentes.
A missão Artemis II também traz um aspecto importante relacionado ao lado oculto. Como a Lua é um corpo sólido, ela bloqueia as ondas de rádio vindas da Terra. Quando a cápsula Orion passar por trás do satélite, os astronautas ficarão temporariamente sem comunicação com a NASA.
Esse isolamento ocorre porque a massa da Lua impede a passagem dos sinais de rádio entre a nave e a Terra. Apesar de ser um período curto, será um momento de completo silêncio nas comunicações.
Se tudo ocorrer conforme o planejado, os tripulantes da Artemis II serão os primeiros humanos, desde a missão Apollo 17, em 1972, a observar diretamente o lado oculto da Lua, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre essa região ainda pouco explorada.
Fonte: G1
Foto: G1

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