Melissa Apprigio, filha do cantor Bruno Mafra — condenado por abuso sexual contra as próprias filhas —, quebrou o silêncio nas redes sociais. Em um vídeo publicado no Instagram, ela fez um forte desabafo sobre os abusos sofridos e o impacto do caso em sua vida. “Foram anos de luta e hoje eu vivo um luto, porque enterrei o meu genitor, que por muitos anos eu quis que fosse meu pai”, afirmou.
A jovem destacou ainda a própria postura diante da situação. “Eu sempre digo que, apesar de eu ter sido vítima, eu sou combativa. Eu lutei, e foram sete anos de luta para que a gente tivesse uma resposta”, disse.
Melissa também comentou o andamento do processo judicial e a validação das denúncias. “O que aconteceu foi o que eu e a minha irmã relatamos. Expusemos o nosso depoimento, toda a análise técnica foi feita, confirmada e já considerada como concreta. O que pode ser discutido ainda é matéria de direito, como eventual falha processual, que inclusive já foi analisada pelas desembargadoras, e nenhuma encontrou qualquer irregularidade”, explicou.
Ela aproveitou o momento para fazer um alerta a outras vítimas. “Eu também vim aqui como forma de alerta para que outras vítimas que possam ter passado por isso na infância saibam que é possível denunciar na fase adulta. A gente não entende quando acontece na infância, não consegue compreender de fato. Quando cresce, passa a entender e identificar. É ali que a gente vai ter discernimento para decidir. Então, é possível”, declarou.
Melissa também criticou a ausência de Bruno Mafra ao longo da vida. “Além do que ele fez, ele era um pai extremamente ausente. Nunca foi participativo na minha vida. Inclusive, para quem fala de questão financeira, ele nem pagou a minha pensão direito”, relatou.
Por fim, ela falou sobre o apoio que recebeu de outras pessoas e o sentimento atual após a condenação. “Ele não supriu o papel que deveria ter. Mas, de alguma forma, a vida colocou pessoas maravilhosas no meu caminho: a família da minha irmã, que também é a minha família, os avós dela, a mãe dela, que é minha mãe de coração, a família do meu noivo e, sobretudo, a minha mãe, que apesar de todas as dificuldades nunca me abandonou. Ela é o motivo de eu ter continuado e lutado até aqui”, disse.
A jovem concluiu refletindo sobre a imagem pública do cantor. “Eu sei que, para muita gente, ele é um artista admirável, que marcou uma geração. Mas, para mim e para a minha irmã, ele é o começo de uma história que a gente quer encerrar, que está tendo coragem de encerrar. Hoje, mais uma vez, eu não comemoro. Eu sinto alívio, mas estou vivendo um luto: o luto de enterrar um genitor em vida”, finalizou.
Condenação de Bruno Mafra
A Justiça do Pará condenou o cantor Bruno Mafra, da banda Bruno e Trio, por abuso sexual contra as duas filhas. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.
De acordo com o processo, as denúncias surgiram em 2019, quando, já adultas, as vítimas relataram abusos ocorridos durante a infância. Os fatos teriam acontecido entre 2007 e 2011, em Belém, quando elas tinham menos de 14 anos.
As investigações apontam que os episódios ocorreram em diferentes ambientes, como a casa da família e um veículo. Para a Justiça, há elementos suficientes que comprovam autoria e materialidade, com base nos depoimentos reunidos ao longo da apuração.
Procurada pelo Metrópoles, a defesa do artista afirmou que a ação ainda não foi concluída e que pretende recorrer da decisão.
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