Emboscada atinge fiscais do Ibama, depois de operação no AM

Foto: CNN

Cinco agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) foram alvos de uma emboscada no município de Manicoré, no sul do Amazonas, durante uma operação de fiscalização contra a exploração ilegal de madeira, realizada na madrugada de sábado (14) para domingo (15).

De acordo com o instituto, os servidores realizavam ações de combate à extração clandestina em ramais ilegais dentro da Terra Indígena Tenharim-Marmelos, que tem sido recorrentemente impacta por invasões, desmatamento e retirada irregular de recursos florestais.

Durante a fiscalização, os profissionais foram surpreendidos por um grupo de aproximadamente 30 pessoas, que teriam realizado agressões e efetuado disparos de arma de fogo contra os fiscais.

Para se proteger, os agentes se abrigaram na floresta e permaneceram no local até conseguirem sair em segurança. Em nota, o Ibama afirmou que nenhum dos agentes se feriram, mas que o veículo utilizado pela equipe foi incendiado pelos suspeitos.

O caso foi comunicado à PF (Polícia Federal), que investiga o ataque. Segundo o Ibama, alguns dos envolvidos já foram identificados e diligências estão em andamento para responsabilização criminal dos autores.

Informações obtidas pela fiscalização indicam que parte da madeira retirada ilegalmente da Terra Indígena Tenharim-Marmelos é escoada e comercializada na região da Vila Santo Antônio do Matupi, localizada no km 180 da rodovia Transamazônica.

Exploração ilegal

Na nota divulgada neste domingo (15), o instituto declarou que a exploração ilegal de madeira segue como um dos principais fatores de degradação ambiental na Amazônia. No estado do Amazonas, conforme apontado em estimativas, mais de 60% da atividade madeireira apresenta indícios de irregularidades.

De acordo com o Ibama, parte da madeira retirada de áreas protegidas, como unidades de conservação e terras indígenas, é posteriormente “esquentada” por meio de planos de manejo florestal fraudulentos.

Em nota, a organização afirmou que ataques contra agentes públicos no exercício de suas funções são inaceitáveis. Leia trecho:

"O Instituto reafirma que ataques a agentes públicos no exercício de suas funções são inaceitáveis e serão rigorosamente apurados pelas autoridades competentes.

Nesta mesma semana, cinco pessoas foram condenadas pela Justiça pela destruição de uma aeronave do Ibama ocorrida em Manaus, em 2021 evidenciando que atos de violência contra a fiscalização ambiental não ficarão impunes.

O Ibama seguirá atuando para coibir a exploração ilegal de recursos naturais, em articulação com os órgãos de segurança pública."

Nota da Ascema

A ASCEMA Nacional manifesta profundo repúdio ao grave ataque sofrido por servidores do Ibama durante ação de fiscalização contra a exploração ilegal de madeira no município de Manicoré, no sul do Amazonas. Conforme divulgado pelo próprio órgão, a equipe foi alvo de uma emboscada promovida por cerca de trinta criminosos, que agrediram os agentes e efetuaram disparos de arma de fogo, obrigando os servidores a se abrigarem na floresta para preservar suas vidas.
O episódio revela, mais uma vez, os riscos enfrentados diariamente por servidores públicos que atuam na linha de frente da proteção ambiental no Brasil.
Diante de situações como essa, torna-se ainda mais evidente a urgência de fortalecer os órgãos ambientais federais com mais estrutura, mais pessoal, orçamento e condições adequadas de trabalho e meios de proteção. Operações de fiscalização em regiões marcadas pela presença de organizações criminosas exigem garantias efetivas de segurança para os servidores envolvidos.
Vale lembrar que, em Abril de 2025, a ASCEMA Nacional encaminhou ao Ministério de Gestão e Inovação no Serviço Público (MGI) a Nota Técnica 02/2025 sobre a necessidade urgente de implementação da Gratificação de Atividade de Risco (GAR) para os servidores da Carreira (em anexo). A nota abordava a complexidade das atribuições dos servidores, envolvendo: inspeções em áreas de exploração madeireira ilegal, garimpo clandestino e pesca predatória; participação em operações conjuntas com forças policiais em áreas de conflito fundiário e disputa pelo uso dos recursos naturais; atuação em regiões de fronteira e outras áreas conflagradas sob domínio de facções criminas; e mediação de conflitos em áreas onde há grupos armados e atividades ilícitas. O documento foi ignorado pelo MGI, na oportunidade, contribuindo para que práticas de violência como a repudiada agora continuassem acontecendo.
A violência contra agentes públicos que defendem o patrimônio socioambiental do país é inaceitável e precisa ser tratada com a máxima seriedade pelas autoridades competentes. É fundamental que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.

Fonte: CNN