Oscilações de glicose em diabéticos elevam o risco de Alzheimer

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Ter condições que levam ao descontrole dos níveis de açúcar no sangue está cada vez mais ligado ao risco aumentado de Alzheimer na velhice. Um estudo publicado em dezembro na revista Diabetes, Obesity and Metabolism indicou que os picos de glicose após refeições podem representar ameaça maior ao cérebro do que avaliações anteriores indicavam.

A pesquisa mostra que pessoas com níveis mais altos de glicemia após as refeições (pós-prandial, medida 2 horas após as refeições) possuem um risco ampliado de demência. Os acúmulos de proteínas tóxicas no cérebro associadas ao Alzheimer foram mais frequentemente encontrados em pessoas com diabetes mesmo nos casos em que não havia qualquer sintoma de declínio cognitivo.

A equipe de endocrinologistas e farmacêuticos da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, apontou, porém, que mesmo pessoas sem diabetes diagnosticada, mas com distúrbios genéticos que prejudicavam o processamento da glicose no organismo, enfrentavam o mesmo problema.

Risco quase 70% maior

O método permitiu inferir possíveis relações causais do açúcar com o Alzheimer, além da simples associação estatística de pessoas com diabetes e a frequência da demência. A investigação utilizou informações do UK Biobank, base que reúne dados genéticos e clínicos de mais de 350 mil participantes.

Após a análise, os dados revelaram uma clara associação no quintil de glicemia pós-prandial mais alta, ou seja, os 20% que tiveram maiores índices médios registrados entre os voluntários. Eles apresentaram risco 69% maior de desenvolver o Alzheimer.

“Esta descoberta pode ajudar a moldar futuras estratégias de prevenção, destacando a importância do controle do açúcar no sangue não apenas de forma geral, mas especificamente após as refeições”, afirma Andrew Mason, autor principal do estudo.

O que causa a associação entre diabetes e Alzheimer

A análise não encontrou redução do volume cerebral ou danos à massa branca do cérebro. Isso sugere que os picos de glicemia têm uma ação mais sutil no tecido neural, provavelmente com alterações em níveis celulares ou moleculares ainda desconhecidas.

Agora, os pesquisadores querem avaliar outros grupos populacionais, fora do Reino Unido, para confirmar se a associação se repete nesse nível. Se ela for confirmada, tratar a diabetes pode se tornar passo chave para tratar o Alzheimer.

“O Alzheimer pode começar silenciosamente até 30 anos antes dos primeiros sintomas, então temos uma janela grande para agir em seus fatores de risco antes dos sintomas. Metade dos casos de demência podem ser prevenidos ou adiados com mudanças no estilo de vida e controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo, depressão e isolamento social”, afirma a endocrinologista Alessandra Rascovski, da clínica AtmaSoma, em São Paulo, que não participou do estudo.

Fonte: Metrópoles