Novas cultivares de algodão chegam ao mercado com alta produtividade e resistência

Foto: Nelson Suassuna/Embrapa

Duas novas cultivares de algodão da Embrapa, em parceria com a empresa Lyntera, chegam ao mercado este mês. A BRS 510 B2RF e a BRS 810 B3RF combinam alta produtividade e elevado nível de sanidade, com resistência múltipla às principais doenças da cultura e a nematoides.

Os materiais incorporam biotecnologia para resistência a lagartas e tolerância a herbicidas. Outro destaque é o desempenho no campo, com teto produtivo que chega a cerca de 7.600 kg/ha na primeira safra e supera 5.300 kg/ha na segunda.

As cultivares serão apresentadas aos produtores durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, que inicia hoje (22) e segue até quinta (24), em Belo Horizonte.

A comercialização das sementes será realizada pela Lyntera. As duas cultivares são transgênicas e incorporam tecnologias da Bayer para proteção contra as principais lagartas do algodoeiro e tolerância ao herbicida glifosato.

A BRS 510 utiliza a Bollgard 2 RRFlex (B2RF), enquanto a BRS 810 conta com a Bollgard 3 RRFlex (B3RF), que acrescenta um mecanismo de ação e amplia a proteção contra lagartas. As tecnologias também facilitam o manejo de plantas daninhas.

“Com essas cultivares esperamos proporcionar redução nas perdas por nematoides, maior controle de lagartas, tolerância ao herbicida glifosato, o que facilita o manejo de plantas daninhas, e resistência a doenças importantes, como ramulária, mancha angular e doença azul. Enfim, uma melhoria da sanidade geral da lavoura, reduzindo riscos produtivos e, potencialmente, os custos com defensivos”, destaca o pesquisador da Embrapa Algodão (PB) Camilo Morello, coordenador do programa de melhoramento genético do algodoeiro da Embrapa.

Ambas as variedades têm resistência ao nematoide das galhas (Meloidogyne incognita), que causa perdas de até 50% na produtividade da lavoura de algodão, comprometendo seriamente o sistema radicular e o desenvolvimento das plantas.

Além disso, apresentam resistência múltipla às principais doenças da cultura, como bacteriose, doença-azul e, principalmente, a mancha de ramulária (causada pelo fungo Ramulariopsis pseudoglycines), que está presente nas principais regiões produtoras de algodão do país e resulta em perdas de produtividade de 25% a 35% em condições normais, podendo ultrapassar 70% em casos de alta severidade sem controle.

Ambas são adaptadas a solos arenosos. Apesar das características em comum, os dois materiais apresentam diferenças que podem orientar sua indicação para distintas condições de cultivo.

Resistência também ao nematoide reniforme

Além do nematoide das galhas, a BRS 510 B2RF é também resistente ao nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis), capaz de impactar em prejuízos superiores a 60% na produtividade do algodão em áreas com altas infestações. Os nematoides são vermes microscópicos que estão entre os principais desafios fitossanitários da cotonicultura brasileira. Eles parasitam as raízes das plantas e provocam prejuízos bilionários ao setor.

Sua produtividade média atinge cerca de 7.600 kg/ha na primeira safra e supera 5.300 kg/ha na segunda safra. É indicada para áreas comerciais de alto rendimento, inclusive com histórico de pressão por nematoides e doenças, nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Ceará, Tocantins e Paraná.

Qualidade da fibra e estabilidade produtiva

A BRS 810 B3RF, além da resistência à bacteriose, doença-azul, mancha de ramulária e ao nematoide das galhas, se destaca também por possuir fibras que superam as exigências da indústria têxtil e alcança produtividade média de cerca de 7.300 kg/ha na primeira safra e 5.245 kg/ha na segunda.

É indicada para cultivo em primeira safra ou abertura de segunda safra no Cerrado e outras regiões consideradas aptas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) – como Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Tocantins, Minas Gerais e Paraná –, além do cultivo irrigado no Semiárido.


Fonte: Globo Rural