Foragido por desaparecimento de duas primas morre em confronto com a polícia em Mandaguari

Foto: PCPR

Um homem identificado como Clayton Antônio da Silva Cruz, conhecido como “Dog-dog”, morreu na manhã desta sexta-feira (21), em Mandaguari, após entrar em confronto com equipes policiais durante uma operação para localizá-lo. Ele era considerado foragido e estava sendo investigado pelo desaparecimento das primas Stella Dalva Melegari e Letycia Garcia Mendes.

A ação contou com a participação de equipes do TIGRE (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial), da DENARC e de policiais civis de Cianorte. Clayton foi localizado pelos policiais civis do TIGRE em uma residência no município.

Segundo as informações preliminares, durante a tentativa de abordagem, o suspeito fugiu pelos fundos do imóvel e passou a pular muros de diferentes residências na tentativa de escapar das equipes. Durante a fuga, ele entrou em uma casa e fez um morador refém.

Diante da situação, os policiais do TIGRE realizaram uma intervenção para conter o suspeito e retirar o morador do imóvel. A ação terminou com o suspeito atingido e morto no local. O refém foi resgatado e, segundo as informações iniciais, não sofreu ferimentos.

A ocorrência mobilizou diferentes equipes de segurança e as circunstâncias do confronto deverão ser apuradas pelas autoridades competentes. A dinâmica da ação, assim como eventuais apreensões realizadas durante a operação, ainda deverá ser detalhada oficialmente.

Saída de casa — O caso começou na noite de 20 de abril, quando Stella e Letycia deixaram Cianorte, dizendo que iriam para uma festa na região de Maringá e que talvez seguissem até Porto Rico. De acordo com a investigação, as duas entraram em uma caminhonete preta conduzida pelo suspeito, que, segundo a polícia, usava um nome falso para se aproximar das vítimas. Imagens de câmeras registraram o veículo trafegando pela região Noroeste.

A linha do tempo da investigação aponta que, já na madrugada de 21 de abril, o trio esteve em uma casa noturna de Paranavaí. As imagens recuperadas pela perícia mostram Stella, Letycia e o suspeito entrando no local por volta de 1h10. Pouco antes disso, Stella publicou uma foto nas redes sociais dentro do veículo, ao lado do suspeito, marcando a prima na postagem. Segundo a Polícia Civil, a última atividade digital das jovens ocorreu às 3h17 daquela madrugada. Depois desse horário, não houve mais mensagens, ligações ou movimentações nas redes sociais.

O desaparecimento das jovens foi registrado oficialmente em 23 de abril, na 21ª Subdivisão Policial de Cianorte. A partir daí, a Polícia Civil iniciou diligências, análise de imagens, rastreamento de celulares e coleta de depoimentos.

Principal suspeito — Com o avanço das investigações, a polícia apurou que o principal teria retornado sozinho a Cianorte entre os dias 22 e 23 de abril. A caminhonete usada no trajeto foi abandonada depois e, segundo a investigação, seria clonada. Depois disso, o suspeito desapareceu novamente, desta vez usando uma motocicleta, e, desde então, não foi localizado.

Ao longo da apuração, a Polícia Civil também tornou público o histórico criminal do homem apontado como principal suspeito. Segundo a corporação, ele tem dezenas de passagens policiais desde a adolescência, incluindo registros por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma, roubo agravado, cárcere privado e uso de identidade falsa. A polícia afirma ainda que ele já cumpriu cerca de sete anos de prisão após uma operação contra o tráfico em Mandaguari e que também foi condenado por participação em um roubo violento na região de Apucarana.

Crime — No dia 29 de abril, a investigação passou a tratar o caso como possível duplo homicídio. Segundo o delegado responsável, havia “fortes indícios” de envolvimento do suspeito no desaparecimento das jovens. A Justiça decretou a prisão temporária dele, mas ele continua foragido. Apesar da principal linha hoje apontar para homicídio, a Polícia Civil informou que ainda não descarta outras hipóteses, como sequestro ou cárcere privado.

As buscas também foram realizadas em Paranavaí e em áreas rurais da região. Segundo a investigação, o celular de uma das jovens teria emitido o último sinal de internet naquele trecho. As operações usam drones, cães farejadores, equipes terrestres e varreduras em propriedades rurais e áreas de mata, mas, até o momento, nenhum vestígio concreto das vítimas foi localizado.


Fonte: diariodonoroeste