Campeão mundial de kitesurfe, Pedro Matos revela medo antes de enfrentar as ondas de Nazaré

Foto: Reproduçã

Campeão mundial de kitesurfe, Pedro Matos se prepara para um novo desafio no mar. Aos 28 anos, o atleta vai participar do Gigantes de Nazaré, competição de ondas gigantes realizada no Rio de Janeiro. Em entrevista exclusiva ao portal LeoDias, Pedro revelou o que mais o preocupa antes de entrar na água e contou como vem se preparando para enfrentar condições de mar maiores do que está acostumado.

Segundo o atleta, o principal receio não está apenas na velocidade ou no impacto de uma onda, mas na possibilidade de permanecer muito tempo debaixo d’água depois de ser atingido.

“Eu acredito que o que mais me preocupa é tomar uma onda muito grande na cabeça, ficar muito tempo embaixo d’água, passar um perrengue muito grande, o ideal é saber que você está treinado, confiar na sua dupla que vai estar te resgatando caso aconteça alguma coisa, mas nunca é bom pensar em cenários ruins, e sim estar preparado para qualquer ocasião”, contou.

Preparação vai além do físico:

Apesar de ser campeão mundial de kitesurfe, Pedro reconhece que enfrentar ondas gigantes exige uma preparação diferente. Para ele, manter a calma em situações de grande pressão é tão importante quanto estar fisicamente preparado.

“Sim, eu acredito que estar preparado fisicamente é uma das partes mais importantes, mas se você não estiver com a cabeça boa para tomar uma onda na cabeça, e ficar tranquilo, complica (risos). Isso é algo que a gente precisa treinar. Tem até uma galera que nem treina tanto, mas tem a cabeça muito boa, e pega ondas gigantes. Então é isso, tô treinando bastante minha cabeça, mas ainda não me considero um big rider. Mas, missão é cada vez mais superar meu medo e ficar mais confortável em condições que o mar fica maior”, disse.

O atleta também já passou por situações complicadas durante sua trajetória no mar, como perder a prancha ou precisar sair nadando após o kite cair na arrebentação. Ele, porém, afirma que nunca enfrentou uma situação que considerasse de vida ou morte.

“Eu já passei por algumas situações de perder a prancha no outside ou deixar meu kite cair na arrebentação e ter que sair nadando, mas nada que eu achei que eu fosse morrer assim, não, eu sempre tento fazer o possível pra não me colocar nessas situações e até hoje deu certo. Nunca passei por uma situação de vida ou morte não, mas já tive alguns perrengues que é normal né?! (risos), de tomar uma onda na cabeça mas, nunca de ficar completamente sem ter o que fazer”, constatou.

Novo desafio após o título mundial:

Pedro conquistou o título mundial em 2025, depois de nove anos de carreira. Segundo ele, a conquista mudou a forma como encara a própria trajetória e reduziu a pressão por resultados.

“Depois que me tornei campeão mundial, fiquei muito mais confiante, como se tivesse saído um peso das minhas costas que carreguei durante nove anos de carreira, batalhando e correndo atrás. Poder olhar para esse troféu só me faz lembrar que tudo valeu a pena, todos os treinos e viagens. Me sinto muito orgulhoso de ter chegado até aqui. Hoje não carrego comigo uma pressão, porque sei do que sou capaz. Penso apenas que é uma evolução constante, a gente está sempre querendo subir de nível e fazer mais, um atleta sempre tem isso em mente”, pontuou.

A participação em Nazaré faz parte de uma experiência para testar limites. Pedro afirma que não pretende transformar a modalidade em uma nova carreira profissional: “Pode se dizer que é mais um hobbie, pra testar meus limites, testar coisas novas. Eu gosto muito de desafios, por isso estou fazendo modalidades novas, mas nada que eu quero levar como carreira não”.

Mesmo encarando Nazaré agora, o atleta ainda tem outro objetivo relacionado ao local: um dia surfar suas ondas gigantes utilizando o kitesurfe: “Pegar umas ondas gigantes de kite é uma coisa que eu tenho muita vontade de fazer. Surfar no Jaws, no Havaí, ou Nazaré, lá em Portugal, de kite, também está na minha lista de sonhos. Não é prioridade agora, porque tenho outras coisas na frente, mas com certeza um dia eu quero viver isso”.

Pedro também explicou que o convite para o desafio surgiu por meio da parceria com Lucas Fink, pentacampeão mundial de skimboard, e que a experiência tem como objetivo ampliar sua vivência em condições de mar grande.

“Então, como eu disse, eu levo isso mais como um desafio, como hobby. Fui convidado para poder competir com o Lucas Fink, que é penta campeão mundial de skimboard, pegando ondas gigantes, e poder vivenciar esse momento com ele e vários atletas, isso só me traz ensinamentos e coisas boas para ficar mais confortável nas situações de ondas grandes. Quero também melhorar isso, poder ficar mais confortável, poder pegar ondas maiores, me divertir mais, e é isso. Mas, não penso em competir nessa modalidade ou seguir carreira, e sim mais como um desafio, podendo vivenciar isso com a galera”, afirmou.

No desafio em Nazaré, Pedro espera também mostrar ao público uma faceta menos conhecida de sua trajetória, ligada ao surfe que praticava antes de se dedicar ao kitesurfe.

“Ah, acho que vou poder mostrar um pouco do meu lado que não é o kitesurfe, que a galera não conhece, o meu lado surfista (risos) A gente vai estar surfando com prancha com alça, e tenho habilidade, vai ser bem legal, e a todo mundo vai poder ver que eu não sou só um kitesurfista, mas que entendo bastante de tow-in e pilotagem. Espero que dê para mostrar um pouco das minhas habilidades”, concluiu.


Fonte: Portal Leo Dias