A passagem de um tornado por Piraí do Sul, na região dos Campos Gerais, neste sábado (8), deixou 20 pessoas desalojadas e destruiu duas dezenas de casas na área rural do município. O fenômeno, que está sob análise do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), pode ser o décimo primeiro registrado no estado apenas em 2026. O alto número reflete a posição geográfica da região Sul do Brasil, classificada por especialistas como a segunda área mais propensa a tornados no mundo, atrás apenas do Meio-Oeste dos Estados Unidos.
Neste domingo (9), equipes da Defesa Civil e do Simepar atuam no levantamento de danos e no atendimento às vítimas. As comunidades mais afetadas ficam a cerca de 30 quilômetros do centro de Piraí do Sul, incluindo Capinzal, Jararaca, Fundão e o bairro Santo André, que chegou a ficar isolado. Apesar da destruição, não há registro de feridos. Os desalojados foram abrigados em casas de parentes, e lonas foram distribuídas para cobrir as estruturas destelhadas. Simultaneamente, a prefeitura opera máquinas para desobstruir rodovias bloqueadas pela queda de árvores.
O evento em Piraí do Sul soma-se a uma série de ocorrências meteorológicas severas no estado. Entre 28 e 30 de junho deste ano, o Paraná contabilizou seis tornados em cidades como Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva. Este último município chegou a registrar um fenômeno de categoria F2 na escala Fujita, que indica danos consideráveis e ventos de até 253 km/h. No início do ano, Mercedes, São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu também foram atingidas. O histórico recente traz ainda a marca da tragédia de novembro de 2025, quando um tornado F4 com ventos de até 400 km/h devastou Rio Bonito do Iguaçu, deixando sete mortos e mais de 800 feridos.
A frequência desses eventos extremos está diretamente ligada a fatores climáticos e geográficos locais e globais. O professor Francisco Mendonça, consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que as calhas dos rios Iguaçu e Paraná, além do Oeste catarinense e gaúcho, formam planícies que favorecem a aceleração dos ventos, resultando em movimentos espiralados. Aliado a isso, o aquecimento anômalo das águas dos oceanos Pacífico e Atlântico Sul, que bateu recordes em 2025 e se manteve em 2026, aumentou a disponibilidade de energia na atmosfera, impulsionando tempestades mais severas.
Embora o monitoramento dessas supercélulas tenha evoluído no Brasil a partir dos anos 2000, pesquisadores alertam que as mudanças climáticas estão intensificando os riscos. Fenômenos como o El Niño, que aquece o Pacífico, atuam como um combustível adicional na atmosfera, segundo meteorologistas. Os tornados, que são colunas giratórias de ar conectando nuvens de tempestade ao solo, têm curta duração, mas altíssimo potencial destrutivo. Com o avanço tecnológico em radares e satélites, especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de outros órgãos de clima buscam aprimorar os alertas para desenvolver políticas públicas capazes de mitigar os danos humanos e materiais nessa rota natural de ventos extremos.
Fonte: Tnonline
Karoline
Foto: Reprodução

0 Comentários